quarta-feira, 9 de julho de 2014

A liberdade prende



Ouvimos certa vez, eu e meu amor, que a liberdade prende. Essa expressão tem um significado diferente cada vez que a escuto. Mas enfim, escutar isso hoje me remete a um pensamento totalmente diferente do de outrora. 

Em sendo a liberdade o direito precípuo de ir e vir, em sendo a liberdade o estado de estar livre, sentir-se livre, penso que jamais poderíamos separá-la do todo. Vamos parar para pensar:

Nascemos sem saber falar, sem compreender, sem ler, sem andar, mas tínhamos o conhecimento do mundo todo em nossas mãos, no nosso inconsciente. Falávamos a língua dos anjos sem sequer saber o que era; éramos inocentes e nossa inocência, amor e crença ilimitados não nos impunha medos ou limites. Não havia dúvidas ou receios. Éramos realmente livres porque vivíamos única e tão somente sob a égide do amor. Só o coração falava e regia nossas ações.

Daí aprendemos a andar, a falar, a ler e escrever. Fomos crescendo e nos tornando cada dia mais racionais. Os obstáculos da vida diária foram estabelecendo conflitos, criando dogmas, construindo muros. O coração foi sendo aprisionado e a razão ganhou voz. Aliás, quantas vezes no decorrer de nossa jornada não ouvimos a frase: ouça a voz da razão?! E fomos ouvindo. Mas quão errados estávamos, quão estúpidos fomos, porque no momento que passamos a ouvir a voz da razão deixamos de ouvir a voz de Deus, do nosso Eu Superior, dos nossos anjos e amigos espirituais, deixamos de ser livres e nos aprisionamos.

Ninguém se sente livre com dogmas, com medos, com receios e inseguranças. Em sendo o medo o sentimento mais limitador que existe, este talvez seja a nossa maior prisão, pois nos aprisiona dentro de crenças e conceitos que em nada se coaduna com a palavra liberdade.

Daí, vem outra frase, dessa vez dos céus: o amor, só o amor liberta. O amor liberta porque nos faz voltar a ser criança, a confiar, a se entregar. O amor liberta porque nos leva a cura da nossa alma, do nosso espírito errante e inquieto que, constantemente, busca o seu lugar no mundo. O amor liberta porque nos coloca em contato com a natureza, com o planeta, com o próximo e com nós mesmos. O amor liberta porque nos leva a Deus. E essa liberdade, essa verdadeira liberdade, ao mesmo tempo nos aprisiona, mas nos aprisiona de uma forma diferente. Não existe mais uma gaiola, não existem grades. Nos prendemos agora a um novo pensamento: ser diferente, fazer a diferença.

Uma vez que conhecemos o verdadeiro amor, que sentimos o gosto desta liberdade que só ele nos proporciona, não nos sujeitamos mais a sentimentos banais, vis e pequenos; não nos sujeitamos mais a relações banalizadas, onde somos apenas produto de consumo. Queremos mais para a nossa vida. E, quem realmente ama, quer fazer também a diferença na vida das pessoas, pois o amor sente a necessidade de reverberar em todas as direções. Por isso quem ama faz realmente a diferença neste mundo carente de amor.


Então amigos, então meu amor, que estejamos sempre presos nas tramas do verdadeiro amor, porque não há liberdade maior do que aquela que só o amor traz. Que possamos voltar a ser crianças e, realmente, acreditar que podemos fazer a diferença no mundo. E, que façamos sim essa diferença.

Namastê!

EuCLARA

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